
Atila Torres Calvente Professor de economia na Universidade Católica de Petrópolis e no Curso MAP de inglês
Tribuna de Petrópolis
Maio de 2003
O professor Denis Goulet da Universidade de Notre Dame ensina que a disciplina de economia deve mudar de nome para economia e ética do desenvolvimento (no original Ethics of Development). Todos que pensam hoje na questão ambiental sabem que devemos ampliar de forma interdisciplinar nossa abordagem sobre a realidade concreta. Assim, ética, educação, economia e ecologia são disciplinas que devem integrar um espectro teórico mais amplo, quando desejamos construir bases mais sólidas de sustentabilidade local em municípios de pequeno e médio porte em qualquer região do mundo.
O desenvolvimento econômico e social depende de educação de qualidade, novas práticas pedagógicas que fortaleçam a essência humana. O que realmente tem valor na vida é o que acontece dentro de nós, e não a nós. Um homem com fome, uma criança sem educação não podem ser substancialmente fortes e livres.
O Artigo 219 da Constituição expressa que: "O mercado interno integra o patrimônio nacional e será incentivado de modo a viabilizar o desenvolvimento cultural e socio-econômico, o bem-estar da população e a autonomia tecnológica do País, em termos de lei federal". No fundo o pensamento Keynesiano deveria dizer que o dinheiro só é bom quando é espalhado.
O processo econômico hoje só faz sentido prático se levarmos em consideração a preservação, conservação, proteção e recuperação de todas as formas de vida em si. Para que isso ocorra precisamos em primeiro lugar cuidar melhor de nossas crianças e de nossos recursos hídricos. Eles são os verdadeiros pilares de uma sociedade sustentável. Não parece ser muito difícil aceitar a idéia de que a melhor estratégia e a ferramenta mais adequada para construção de um país é a educação pública de qualidade. Além disso, ela pode contribuir para a redução dos investimentos improdutivos e das despesas operacionais supérfluas da sociedade visando ainda à diminuição dos diversos custos de controle social e da violência urbana. Pode também evitar o aumento de gastos públicos com tribunais, polícia, penitenciárias, estruturas de hospitais, despesas com programas assistencialistas, uma verdadeira bola de neve que tende a aumentar impostos num momento que precisamos, como nunca, gerar atividades econômicas produtivas para criar pelo menos 2 milhões de oportunidades de trabalho para a população brasileira a cada ano.
O desenvolvimento humano é a estratégia do desenvolvimento econômico. Da mesma forma que as plantas precisam de cuidado, nutrientes em quantidade e qualidade diversificada, solo fértil e água, as crianças e jovens precisam de conhecimento e afetividade. A sociedade vai ser aquilo que fizermos com nossas crianças hoje, ASSIM COMO AS PLANTAS SERÃO TÃO PRODUTIVAS QUANTO MAIOR O CUIDADO.
Venham debater comigo e outras pessoas idéias práticas sobre isso dia 30 de maio próximo no Seminário (Local - LNCC-Quitandinha) organizado pelo Lions Clube Petrópolis-Itaipava.
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