 |

Bruno do Nascimento
Diário de Petrópolis
24/08/03
A água sempre foi considerada fonte de vida nas mais variadas culturas. Mas somente agora as pessoas estão valorizando o poder curativo da água, especificamente as minerais. Essa nova opção terapêutica, que na verdade não é tão recente assim, existe desde a Antigüidade, e é chamada de crenoterapia (do grego crenos = fonte). Dependendo da sua composição físico-química, a água mineral é indicada em vários tratamentos como artrites, anemias, acne, alergias e doenças estomacais, dentre tantas outras.
Os locais mais indicados para um contato com essas águas minerais com poder terapêutico são as cidades do Circuito das Águas, em Minas Gerais: Poços de Caldas, São Lourenço, Caxambu, entre outras, as chamadas estâncias hidrominerais. Essas águas têm sido tão procuradas que já existem os restaurantes das águas. A novidade que iniciou em Nova Iorque, já tem similares no Brasil. Nesses restaurantes é possível encontrar uma variedade superior a 700 tipos de águas minerais nacionais e importadas.
A principal diferença entre as águas curativas e as de mesa que são engarrafadas é a quantidade de sais minerais. As águas minerais que são envasadas e comercializadas são comumente chamadas de "água de mesa leve". São leves por que tem um teor menor de sais minerais em comparação com as águas minerais terapêuticas. E variam as suas concentrações minerais de fonte para fonte. As empresas estão sujeitas as normas do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Vigilância Sanitária Estadual e da Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (FEEMA).
O DNPM é quem controla a classificação das águas minerais e o teor de sais minerais por elas envasados. As empresas podem comercializar águas minerais com diferentes faixas de quantidade de sais minerais, mas todas têm que estar dentro da legislação especificada pelo DNPM.
Após a liberação para o público, dependendo do tipo de acondicionamento, a água mineral tem um determinado tempo para ser consumida. O período de validade da água varia de empresa para empresa. Mas em geral a água mineral em copinho deve ser consumida num período de seis meses, a garrafa de um litro e meio deve ser consumida em um ano e o garrafão de 20 litros em quatro meses. O tempo menor para consumo do garrafão é em função de ficar mais tempo aberto e nem sempre poder ser acondicionado em temperaturas ideais.
A Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) é a entidade que faz as análises físico-químicas das águas minerais de todo o Brasil e quem avalia a sua qualidade. Para a CPRM a água mineral tem que ser natural, não podendo levar a adição de sais minerais. A diferença básica entre as águas potáveis de abastecimento público e as águas minerais é que as potáveis passam por tratamento, recebendo produtos químicos, entre os quais: sulfato de alumínio e cloro.
Da mesma forma que as águas podem ser usadas como tratamento terapêutico e matar a sede podem transmitir doenças, também. E para quem pensa que as doenças são apenas aquelas transmitidas por bactérias, existem as que ocorrem em decorrência da falta ou do excesso de elementos químicos na água.
De acordo com Daniel Thomaz Veverka, analista de águas dos Laboratórios Baffi, além dos exames microbiológicos é sempre importante averiguar a qualidade físico-química da água. Tanto em residências antigas com tubulações em cobre e chumbo, bem como dos poços para saber se existe contaminação do solo na água.
Para Daniel T. Veverka, muitas pessoas se preocupam apenas com a qualidade microbiológica, querendo saber se existe a contagem de coliformes fecais ou totais. Mas se esquecem dos outros parâmetros também importantes para se ter uma água de qualidade. "Quando alguém nos procura quer saber se a água esta boa para consumo, muitas vezes a contaminação é apenas por bactérias do ar e do solo (coliformes totais), e está associado a falta de limpeza dos poços e reservatórios. Outras vezes os casos são mais graves pois existe a contaminação pela Escherichia coli (coliformes fecais), que é um agente patogênico que causa mal a saúde, diretamente associado as fezes humanas e animais, sendo que não da para fazer distinção. Neste caso, a procedência da contaminação, geralmente, é o esgoto que infiltra no solo e contamina o lençol freático". Contudo, tem que existir uma preocupação com o chumbo, alumínio, cloro, ferro e o cobre, entre outros.
Muitos elementos químicos podem sofrer o arraste nas tubulações de chumbo e cobre de casas antigas. Por exemplo: o chumbo pode provocar tumores no lobo frontal do cérebro, nódulos no seio, convulsões, alucinações e paralisias; o alumínio pode causar dormências, seborréia, envelhecimento precoce e mal de Alzheimer; o cloro afeta os órgãos respiratórios e produz perda de memória para nomes. O Clorofórmio derivado do cloro causa fraqueza e delírio; o ferro provoca doenças cardiovasculares, câncer, infecções e artrite; e o cobre causa asma, hipertensão, deficiência imunológica, convulsões, aumento de colesterol e depressão.
Daniel T. Veverka salienta que não é a ingestão de água com alta concentração desses elementos uma única vez que provocará essas doenças, mas sim, a ingestão continuada por anos a fio, sem o devido controle desses elementos que podem estar fora dos parâmetros.
Assim nunca é de demais lembrar que as águas engarrafadas somente serão consideradas seguras se suas fontes estiverem livres de contaminação. O mesmo exemplo serve para as águas provenientes de fontes alternativas, como: minas, nascentes e poços. A cada seis meses é necessário fazer a limpeza e desinfecção das caixas d'água e poços, inclusive os manilhados. Quando a água engarrafada não estiver disponível ou você não conhecer ou estiver em dúvida com a procedência da água que está tomando, as medidas abaixo deverão ser tomadas.
I - Ferva a água Ferver a água pelo período de 1 minuto é suficiente para a desinfecção, mesmo em grandes altitudes. Bebidas como café e chá são geralmente seguras, se preparadas com água em ebulição. II - Tratamento químico Os derivados do iodo e cloro são os métodos mais freqüentemente utilizados. Pessoas com alergia ao iodo, indivíduos com doença tireoidiana ativa e mulheres grávidas, não devem utilizar iodo. III - Filtre a água Os filtros têm a vantagem de prover acesso instantâneo à água potável, porém seu desempenho depende do tamanho médio dos poros. Os filtros de vela, de carvão ativado, de ozônio, sais de prata e outros não têm eficácia comprovada na prevenção das doenças veiculadas pela água Cuidados adicionais são: jamais utilizar gelo se sua procedência for duvidosa. Da mesma forma, sorvetes e similares devem ser evitados, caso não sejam industrializados. Evitar escovar os dentes com água não tratada.
|
 |