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Bruno do Nascimento
Diário de Petrópolis
24/08/03
O peixe Piabanha
O rio Piabanha tem o seu nome derivado de um dos principais peixes que existem na região da bacia do rio Paraíba do Sul. O peixe piabanha (Brycon insignes) que na língua tupi significa: "o que é manchado". É um peixe nobre e isto está evidenciado no próprio nome cientifico: insignes, que no latim significa nobre. Atualmente, corre o perigo de extinção, mas a sua importância na história do rio Paraíba do Sul é tão relevante que esta presente no brasão do município de Paraibuna.
O piabanha é um peixe de grande porte, podendo medir aproximadamente 80 cm de comprimento e atingir cerca de 8 a 10 Kg. Encontrado apenas na bacia do rio Paraíba do Sul sobe o rio na época da piracema, no período reprodutivo de dezembro a fevereiro para estimular a desova.
Lamentavelmente, a presença da piabanha nos rios da região é muito rara. Para ajudar no processo de repovoamento a CESP, Cia. Elétrica de São Paulo tem apoiado o Projeto Piabanha, que vêm reintroduzindo espécies nativas de peixes nos rios da região. A fecundação dos óvulos é externa e as desovas ocorrem quando o nível das águas está em ascensão em virtude das chuvas. A incubação dos ovos é realizada nas lagoas marginais ou em áreas de remanso, onde os alevinos encontram alimento e refúgio para o seu desenvolvimento.
Apenas diante de uma melhora da qualidade da água do rio que leva o seu nome é que o peixe piabanha poderá voltar um dia ser visto em Petrópolis.
O rio Piabanha
Petrópolis está situada na Bacia Hidrográfica do leste. A Bacia se estende da Bahia até Santa Catarina, numa estreita faixa de Mata Atlântica. Nesta Bacia são encontrados os rios Paraíba do Sul, Doce, Jequetinhonha, Contas, Araguaçu e Vaza Barris. Todos esses rios são de grande relevância regional e nos seus conjuntos de bacias encontramos cerca de 320 espécies de peixes. A Bacia do rio Paraíba do Sul, na qual o rio Piabanha está inserido, contabiliza aproximadamente 180 espécies de peixes.
A região de Petrópolis, assim como ocorre com a maioria das cidades brasileiras, sofre as conseqüências da poluição hídrica. Avalia-se que mais de 20% da população de Petrópolis não tenha água encanada e que mais de 40% não tenha sistema de coleta de esgoto. Adicionalmente, o esgoto que é coletado pela rede nem sempre tem como destino final uma estação de tratamento de esgotos, sendo despejado diretamente nos rios. Soma-se à poluição gerada pelos esgotos domésticos, a poluição industrial que abrange um universo de cerca de 200 empresas, de portes e potencial poluidor variados. É relevante colocar, dentro desse contexto, que a cidade de Petrópolis é a primeira Área de Proteção Ambiental sob jurisdição federal a ser implantada no Brasil e é a que tem a maior quantidade de pessoas residindo dentro do seu perímetro, superando mais de 270.000 habitantes.
Petrópolis abrange duas sub-bacias importantes a nível estadual: a sub-bacia de contribuição da Baía de Guanabara e a sub-bacia de contribuição da Bacia do Rio Paraíba do Sul. O rio Paraíba do Sul recebe as águas do rio Piabanha a jusante de Três Rios, após a confluência com os rios Piabanha e Paraibuna. Neste trecho o Paraíba do Sul apresenta um aumento acentuado de vazão. O rio Piabanha e seus afluentes Preto e Paquequer são os principais corpos receptores de todos os despejos domésticos e industriais dos municípios de Petrópolis e Teresópolis, respectivamente. Já o rio Paraibuna, segundo a FEEMA, apresenta boa qualidade de água. Uma pequena parte dos rios localizados dentro da APA-Petrópolis contribuem para a Bacia da Baia de Guanabara.
A importância de um programa de despoluição e monitoramento da poluição hídrica da sub-bacia do Rio Piabanha é evidenciada também pelo significado do rio Paraíba do Sul para o Estado do Rio de Janeiro. O rio Paraíba do Sul tem um papel relevante, não só pelo fato de sua bacia ocupar metade da extensão do Estado do Rio de Janeiro e localizar-se a jusante de Minas Gerais e São Paulo, o que o torna herdeiro de suas cargas, mas, fundamentalmente, por ser utilizado para o abastecimento de água e de energia para cerca de 80% da população fluminense, ou seja, aproximadamente 10 milhões de habitantes. Suas águas também são utilizadas para abastecimento industrial, preservação da flora e fauna e disposição final de esgotos.
Dentre os problemas ambientais que afetam a qualidade de suas águas da região, destacam-se, predominantemente, os problemas relativos à poluição industrial, ao esgotamento sanitário e à erosão e carreamento de partículas sólidas. Em função disto, garantir a qualidade das águas do rio Paraíba do Sul é prioridade dos órgãos de controle ambiental, cuja atuação na bacia se faz por meio de programas de monitoramento, licenciamento de atividades poluidoras, fiscalização e outras medidas de controle corretivas e preventivas.
Alia-se aos inúmeros problemas relacionados à poluição dos recursos hídricos, a carência de levantamentos e de trabalhos de pesquisa e campo sistemáticos com relação ao grau de poluição dos rios, mananciais e lençóis freáticos. A maior parte dos dados existentes na região foram levantados e agrupados no relatório que acompanha o Zoneamento Ambiental da Apa-Petrópolis, apresentado pelo Instituto Ecotema (2002). No entanto, segundo o próprio relatório, é significativa a carência de dados de qualidade da água para a região.
Na atualidade, o Consórcio Águas do Imperador está investindo num programa de despoluição da bacia do rio Piabanha. O Programa foi apresentado para a sociedade civil numa audiência pública com os Ministérios Públicos Federal e Estadual em dezembro passado no Palácio Rio Negro. O projeto consiste em captar o esgoto do centro da cidade através de uma rede na calha do rio Palatinato e bombeá-lo até a estação de tratamento de efluentes domésticos (ETE) na Rua Dr. Sá Earp.
A próxima etapa do programa de despoluição consiste em usar a mesma tecnologia para a captação dos esgotos na calha do rio Quitandinha. Contudo, mesmo com a rede instalada, muitos moradores ainda não estão conectados a rede de esgotos do Palatinato, tanto é que o fluxo do rio no trecho da Rua Visconde de Souza Franco, após a ETE, continua completamente poluído por esgoto doméstico e industrial. A principio haverá uma diminuição da carga poluidora, mas não a efetiva e esperada limpeza dos rios.
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