
Bruno do Nascimento
Diário de Petrópolis
24/08/03
A água é uma das questões mais críticas para a humanidade. A água está em crise na China, no sudeste da Ásia, no sudoeste da América, no norte da África. Mesmo na Europa há uma crise no suprimento e no gerenciamento da água, à medida que os lençóis freáticos baixam de nível e os rios se transformam em um fio d'água ou numa torrente destruidora.
Para os céticos, que acreditam que o problema da escassez de água está superdimensionado e que tudo será resolvido através dos avanços tecnológicos futuros, não existe a noção de risco relacionado à água. No entanto, se nos atermos às informações abaixo veremos o quanto a água no mundo está em perigo. Ainda assim é possível alguém manter-se cético?
O nível do mar Morto diminuiu mais de 10 metros no século XX. Causas: o sol implacável e o acordo firmado em 1981 entre Israel e Jordânia para aumentar o volume d'água a ser retirado por eles do rio Jordão, que foi reduzido a pouco mais de que uma vala de drenagem.
O mar da Galiléia, no norte de Israel, que fornece água para grande parte do sul, está minguando e ameaça transformar-se em salina.
Em Gaza, o excesso de bombeamento está reduzindo a pressão hidrológica, o que está deixando a água do mar entrar, e os poços estão produzindo água cada vez menos potável.
A Jordânia, Israel, Gaza, Chipre, Malta e a Península Arábica já atingiram o ponto em que todas as reservas de água doce da superfície e do subsolo estão esgotadas.
O Marrocos, a Argélia, a Tunísia e o Egito estarão na mesma situação em uma década.
Cerca de 250 milhões de pessoas habitavam a Terra há dois mil anos. Em 2020, haverá 400 milhões de pessoas só na costa do norte da África e no Oriente Médio. E o suprimento de água está diminuindo, à medida que os aqüíferos fósseis estão sendo esgotados.
O Saara está se expandindo. Quatro mil anos atrás, os hipopótamos brincavam onde hoje só existe pedras e vegetação baixa.
As reservas de água do próprio vale do Nilo - o berço da civilização - estão em perigo. O Egito é um usuário eficiente da água, mas os egípcios estão consumindo todo o suprimento disponível, e a população está crescendo mais de 3% ao ano. Há um milhão de novos egípcios a cada nove meses.
Em milhões de hectares do norte da China, o lençol freático está decrescendo a uma taxa de 1 metro por ano, em virtude do desperdício de água escoada, via irrigação.
No Punjab e em Bangladesh, onde ocorrem inundações quase todo ano, a taxa de declínio do lençol freático é, ainda assim, mais rápido que na China. Muita gente e pouca retenção de água.
Na Europa, ainda que haja sucessos, a maioria dos rios transporta efluentes humanos e industriais para o mar. Até nas partes mais remotas do continente europeu a água dos rios e riachos pode não ser mais potável.
Em várias regiões da Eslováquia, da Polônia e do oeste da Rússia os rios estão amarelados devido aos venenos industriais.
As praias ao longo dos Grandes Lagos da América do Norte - a fonte de água potável para milhões de pessoas no Canadá e nos Estados Unidos - rotineiramente exibem avisos de advertência no verão: Imprópria para banho".
Fonte: De Villiers, Marq Água, RJ, 1999
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