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Bruno do Nascimento
Tribuna de Petrópolis
14 de junho de 2003
Em nenhuma outra época se viu no Brasil notícias sobre tantos acidentes ecológicos tendo a contaminação das águas como tema principal.
Talvez alguns digam que é mero acaso, mas o certo é que a cada dia nos deparamos progressivamente com tais problemas. Esta semana foi Uberaba, mês passado Cataguases, e assim por diante sem entrarmos nos problemas da Petrobrás ou do emissário submarino de Ipanema.
Com certeza a mídia está mais atenta ou também pode ser o início de uma série de bombas relógio que estavam acomodadas e com o decorrer dos anos começaram a explodir. O problema do emissário submarino foi o de corrosão dos pilares. Na Petrobrás a obsolência dos equipamentos de refino em relação aos de prospecção, contudo, uma plataforma afundou e outra adernou. Em Cataguases foi a falta de um Engenheiro Civil que fizesse a manutenção na represa de contenção de resíduos industriais que não era fiscalizada há 14 anos.
Por outro lado, os esgotos que correm a céu aberto pelas cidades brasileiras comprovam a falta de investimentos, de planejamento e de legislação que regule a matéria. "As estatísticas no setor são que nem biquíni: mostram o que se quer mostrar e escondem o essencial".
Evidentemente, os atores do poder público também se vêem surpreendidos com tais situações e não sabem de que maneira agir. Para uns, milhões de metros cúbicos de soda cáustica no leito de um rio é um problema menor, para outros é só aumentar o volume de água para minimizar o problema, desconhecendo a influência do pH e as suas formas de correções na água dentro do meio ambiente. No mesmo momento em que a sociedade começa a elaborar um discurso mais eloqüente sobre o tema, a prática dessa mesma sociedade não segue as suas intenções. De repente, nos deparamos com autoridades cobrando multas milionárias e ao mesmo tempo a aplicação de tantos recursos financeiros têm um destino tão pífio quanto a sentença aos responsáveis. São necessários um amadurecimento e um aprimoramento de toda a sociedade em tais situações.
O Fórum Nacional das Águas, ocorrido em Poços de Caldas, entre 04 e 07 de junho de 2003, demonstrou que muito tem que ser feito. O evento afirmou também que o Ministério Público está mais presente e atuante no território nacional. Como exemplo, através da criação da promotoria da Bacia do Rio São Francisco, em Minas Gerais, onde seis promotores públicos atuam exclusivamente na área ambiental. Os Comitês de Bacia precisam estar mais articulados e a sociedade civil mais ativa, trabalhando mais em consonância com as empresas do que propriamente e tão somente com o governo. As deliberações do Fórum Nacional das Águas servirão de base, através da Carta de Poços de Caldas, para a formulação da política nacional de recursos hídricos.
Agora com a cobrança pelo uso da água um novo mercado será formado, pois as empresas deverão investir mais em tecnologias que minimizem a poluição, a fim de terem suas contas com gastos em recursos hídricos reduzidas. Espera-se que tenham o bom senso de investirem em tecnologias limpas, de reuso da água e que saibam também, além de tudo, serem eficientes no uso de um recurso já sabido tão escasso, evitando as perdas no processo produtivo, de abastecimento ou na torneira de casa.
Naturalmente espera-se que as pessoas tenham uma maior consciência na preservação das águas que são o elemento essencial de manutenção da vida. As árvores através das raízes a absorvem da terra. Os peixes usam o oxigênio que ela contêm. Os homens não teriam alcançado tamanho desenvolvimento nesta era, não fosse com a utilização da água no abastecimento das cidades, produção de energia elétrica e na produção industrial e agrícola. Sem esquecermos que água é vida e vida é água, cabe tão somente a nós, Seres dotados de razão, conservarmos e protegermos da poluição e de acidentes previsíveis o elemento mais abundante e ao mesmo tempo mais escasso de nosso planeta. Afinal, água existe aos montes, mas por não conservarmos os montes de onde elas nascem, poderemos ficar sem água de beber.
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