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Ursula Zimmermann
Coordenadora de Direito e Políticas Públicas do Instituto Ipanema
Atualmente, mais de um bilhão de pessoas no mundo não possuem acesso à água potável. Em razão de certos fatores, tais como o crescimento populacional, a industrialização e as mudanças climáticas que vem ocorrendo no planeta, estima-se que no ano de 2050, aproximadamente dois terços da população do planeta sofrerá com a escassez de água.
A escassez de água potável pode gerar para uma nação problemas na produção de alimentos, na saúde de sua população e na sua estabilidade social e política. A nível internacional, podem ocorrer conflitos entre as nações que compartilham um mesmo recurso hídrico.
O Brasil possui de 12% a 18% do total dos recursos hídricos do planeta, se contabilizada a toda a superfície da bacia amazônica, incluindo os paises fronteiriços, o que nos garante o "status" de nação com a maior reserva de água na terra. Encontra-se em território nacional grande parte de um valioso recurso hídrico, o Aqüífero Guarani.
Segundo Ursula Zimmermann, Coordenadora de Direito e Políticas Públicas do Instituto Ipanema, o Aqüífero Guarani, ou Botucatu, é uma das maiores reservas de água subterrânea do mundo. É compartilhado entre a Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A área total do Aqüífero Guarani é de 1.2 milhões de Km2, sendo que 839.800 Km2 no Brasil, 225.500 Km2 na Argentina, 71.700 Km2 no Paraguai e 45.000 Km2 no Uruguai. Com um volume de aproximadamente 40.000 Km3, tem capacidade de fornecer água para 20 milhões de pessoas sem que seja alterado o seu nível. No entanto, o uso não sustentável deste recurso pode comprometer o suprimento de água para as gerações futuras. Tendo em vista essa ameaça, os quatro países que compartilham o Aqüífero Guarani, com a colaboração do Global Environmental Facility, iniciaram um projeto que tem como objetivos a proteção ambiental do aqüífero e das áreas naturais que dele dependem, e o desenvolvimento sustentável da região que usa suas águas.
Do ponto de vista político, a gestão do Aqüífero Guarani é um empolgante desafio, pois envolve negociações em todos os níveis: local, nacional e internacional. E deve sempre priorizar os objetivos de proteção ambiental, da justiça social e da eficiência econômica que estão contidos na Agenda 21.
Sendo garantida a participação de todas as partes interessadas no processo de desenvolvimento e implantação de um plano de gestão para o aqüífero, e sendo mantido o compromisso de se promover o desenvolvimento sustentável da região, estaremos garantindo acesso à água potável a milhões de pessoas hoje e no futuro, através de um processo de democrático, concluiu Ursula Zimmermann.
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